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Distúrbios menstruais na adolescência

Distúrbios menstruais na adolescência :

 

O sangramento vaginal anormal constitue mais de 50% das queixas ginecológicas na adolescência. Pode ocorrer em qualquer idade mas é especialmente comum nas adolescentes. Em  cerca de 90 a 95%dos casos o sangramento vaginal anormal das adolescentes são causados  pela hemorragia uterina disfuncional(HUD), frequente ,principalmente , nos primeiros dois a três anos após a menarca(primeira menstruação na vida). Por definição esse distúrbio é caracterizado por hemorragia do endométrio , não dolorosa, excessiva e irregular, não atribuída a complicações da gestação, alterações dos órgãos pélvicos ou doenças sistêmicas. Na adolescência é consequência de ciclos anovulatórios causado pela imaturidade na relação entre hipotálamo e hipófise,locais do cérebro responsáveis pela produção de hormônios reguladores , e os ovários.

O intervalo normal da menstruação é de 21 a 45 dias , com pequena variabilidade entre os ciclos nas mulheres adultas. As adolescentes têm mais variações da duração do ciclo do que as adultas , e o fluxo menstrual normal dura em média três a sete dias. A fim de determinar a quantidade de sangue perdido, pode-se perguntar às adolescentes a quantidade de absorventes usados em cada ciclo menstrual. Embora imprecisa, essas informações podem ajudar a estimar a quantidade de sangue perdido.

O diagnóstico de HUD é de exclusão. Deve-se considerar outras causas de sangramento vaginal anormal como: gravidez, anormalidades útero-vaginais, distúrbios endócrinos e outras doenças sistêmicas. Seja qual for a história sexual , a possibilidade de gravidez deve ser sempre considerada, em toda adolescente com sangramento vaginal anormal. É preciso entender que essas adolescentes podem ter dúvidas quanto ao sigilo profissional , ou podem  ter sido vitimas de abuso sexual. Uma outra causa comum de sangramento  anormal é endometrite bacteriana (infecção do endométrio, tecido que recobre a parte interna do útero), em especial naquelas adolescentes com vida sexual ativa. Outras causas uterinas são os miomas e pólipos endometrias. A endometriose(causada pela presença de tecido endometrial fora do útero)  também pode estar associada a distúrbios menstruais, principalmente nas adolescentes com dor intensa no período menstrual ou dor pélvica crônica. Causas vaginais também devem ser consideradas como: absorvente intra vaginal retido, vaginites e até mesmo, embora raros, os tumores. O sangramento vaginal anormal também pode ter origem nas doenças sistêmicas como o hipo e hipertireoidismo e doenças hematológicas como a doença de Von Willebrand, distúrbio hematológico mais frequente que acomete cerca de 1% da população.

Na avaliação diagnóstica uma história clinica e menstrual são fundamentais na avaliação das pacientes com sangramento vaginal anormal. Além do exame físico geral , incluindo o pélvico, recomendável em todas as pacientes e essencial naquelas sexualmente ativas. O exame especular, quando possível, pode ajudar a diagnosticar traumatismos vaginais ou corpos estranhos, além de permitir a coleta de amostras para o laboratório. Entre os exames complementares são fundamentais o hemograma , a fim de estabelecer a intensidade da anemia e a ultrassonografia pélvica para excluir doença ovariana, uterina ou gravidez.

Quando todas as outras causas de sangramento vaginal anormal das adolescentes tiverem sido excluidas e o diagnóstico de HUD confirmado, pode-se  escolher o tratamento mais adequado. De uma maneira geral o tratamento é orientado pelo nível de anemia presente e a existência de sangramento ativo. Na grande maioria dos casos , o tratamento é bem sucedido com uso de pílulas anticoncepcionais combinadas(aquelas com estrogênio e progesterona) de baixa dose. Naqueles casos em que a paciente apresentar sangramento ativo importante e anemia, deve-se considerar a hospitalização. As transfusões raramente são necessárias . É importante salientar que a maioria das adolescentes com HUD responde bem ao tratamento , e cerca de 50% delas desenvolvem padrão menstrual regular dentro de quatro anos após a menarca. Com uma avaliação diagnóstica e tratamento adequados, a maioria dessas adolescentes tem um prognóstico excelente.